Brasil acompanha 75 pacientes em pesquisa sobre hepatite B
Estudo reúne pesquisadores de quatro países e pretende acompanhar 600 pacientes para entender como o vírus evolui e identificar possíveis alvos para novos tratamentos
O Brasil passou a integrar uma pesquisa internacional que busca avançar no desenvolvimento de tratamentos contra a hepatite B e, no futuro, contribuir para a descoberta de uma possível cura para a doença.
O projeto reúne grupos de pesquisa do Brasil, Índia, Senegal e Uganda e é coordenado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. No Brasil, participam o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e a Universidade de São Paulo (USP).
A pesquisa pretende analisar, em nível celular, como o vírus da hepatite B se comporta em pessoas de diferentes países e como o sistema imunológico reage à infecção. Também serão avaliados pacientes que apresentam simultaneamente hepatite B e HIV.
Estudo terá acompanhamento de 600 pacientes
A iniciativa internacional pretende acompanhar 600 pessoas durante aproximadamente quatro anos e meio. Os participantes serão distribuídos entre os países envolvidos no estudo.
No Brasil, a equipe responsável deverá acompanhar 75 pacientes. O recrutamento começou em julho e, segundo informações divulgadas pelos pesquisadores, cerca de 40 participantes já haviam sido incluídos. A expectativa é completar o grupo brasileiro até o final de 2026, enquanto o prazo de recrutamento pode se estender até meados de 2027.
O consórcio internacional foi criado em 2023, teve as atividades interrompidas no ano seguinte e foi retomado posteriormente. No Brasil, o estudo começou efetivamente em 2026 e deverá ter duração aproximada de cinco anos.
Pesquisadores procuram entender evolução da doença
Um dos principais objetivos da pesquisa é descobrir por que a hepatite B evolui de maneira diferente entre os pacientes.
Os cientistas vão investigar características genéticas relacionadas à evolução da infecção e analisar componentes do vírus que possam funcionar como indicadores para prever a resposta dos pacientes aos tratamentos.
A expectativa é que essas descobertas ajudem a identificar novos alvos para o desenvolvimento de medicamentos, inclusive terapias capazes de estimular ou modificar a resposta do sistema imunológico.
Segundo a pesquisadora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, o objetivo é encontrar informações que possam contribuir para estratégias futuras de tratamento e para o desenvolvimento de terapias direcionadas à cura da hepatite B.
Hepatite B ainda não tem cura
A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado e pode permanecer silenciosa durante longos períodos. Quando a infecção se torna crônica, pode provocar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.
A doença também está associada ao hepatocarcinoma, um dos principais tipos de câncer primário do fígado. Por isso, o acompanhamento médico e o diagnóstico precoce são considerados fundamentais para reduzir o risco de complicações.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde apontavam, em 2024, cerca de 240 milhões de pessoas vivendo com infecção crônica pelo vírus da hepatite B no mundo. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.
Como ocorre a transmissão
O vírus da hepatite B pode ser transmitido por meio de relações sexuais e pelo contato com sangue contaminado. A transmissão também pode ocorrer da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto.
Por isso, medidas de prevenção são importantes, principalmente o uso de preservativos, o não compartilhamento de objetos perfurocortantes e de itens pessoais que possam ter contato com sangue.
Vacina é principal forma de prevenção
Embora a pesquisa busque novos caminhos para o tratamento e uma possível cura, atualmente a vacinação é a principal forma de prevenção contra a hepatite B.
A vacina está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas que ainda não foram imunizadas, independentemente da idade. Para crianças, o calendário prevê doses desde o nascimento. Para adultos, o esquema geralmente é composto por três doses.
Além da vacinação, o uso de preservativos nas relações sexuais e os cuidados para evitar contato com sangue contaminado ajudam a reduzir o risco de transmissão.
Pesquisa pode abrir caminho para novos tratamentos
A participação brasileira no estudo representa uma oportunidade para ampliar o conhecimento científico sobre uma doença que ainda representa um importante problema de saúde pública.
Ao analisar pacientes de diferentes países e combinar informações clínicas, genéticas, imunológicas e relacionadas ao próprio vírus, os pesquisadores esperam identificar fatores que possam explicar a evolução da doença e apontar novos caminhos terapêuticos.
A iniciativa também está alinhada à meta internacional de eliminar as hepatites virais como ameaça à saúde pública até 2030.
Enquanto os pesquisadores avançam na busca por novas terapias, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo essencial, especialmente por meio da vacinação e do diagnóstico adequado da infecção.
