Caprichoso transforma a floresta em protagonista e reforça defesa da Amazônia na segunda noite
Boi azul aposta na ancestralidade, nos povos originários e nos guardiões da floresta para consolidar uma das apresentações mais impactantes do Festival de Parintins 2026.
O Boi Caprichoso abriu a segunda noite do 59º Festival Folclórico de Parintins reafirmando a identidade artística construída para esta edição do festival. Com o subtema “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia – O Chão da Vida”, o boi azul transformou o Bumbódromo em um grande manifesto em defesa da floresta, dos povos originários e dos saberes ancestrais que sustentam a identidade amazônica.
Em uma apresentação marcada pelo impacto visual e pela força simbólica de suas narrativas, o Caprichoso conduziu o público por um espetáculo em que natureza, espiritualidade e resistência caminharam lado a lado, reforçando a Amazônia como território vivo, sagrado e protegido por seus guardiões.
A floresta ocupa o centro da arena
Desde os primeiros momentos da apresentação, o Caprichoso fez da floresta a grande protagonista do espetáculo. Seres encantados, lendas amazônicas e personagens tradicionais conduziram uma narrativa que valorizou a relação entre os povos da Amazônia e o território onde vivem.
O ponto alto desse eixo foi a alegoria da lenda “Curupira – O Guardião da Vida”, assinada pelo artista Roberto Reis. Em uma composição de grande impacto cênico, o personagem surgiu como símbolo da proteção da floresta e do equilíbrio da natureza, revelando a Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque em uma evolução que arrancou aplausos da arquibancada.
Ancestralidade e espiritualidade conduzem o espetáculo
Outro momento de destaque foi o Ritual Indígena “Transcendência Asurini – Maraká”, desenvolvido pelo artista Kennedy Prata e protagonizado pelo Pajé Erick Beltrão. A apresentação colocou em evidência a espiritualidade dos povos indígenas, reafirmando seus saberes ancestrais e sua profunda conexão com a floresta.
Ao longo do espetáculo, o Caprichoso também homenageou homens e mulheres que vivem dos rios amazônicos por meio da Figura Típica Regional “Os Pescadores e Pescadoras da Amazônia”, reforçando o papel dessas comunidades como guardiãs das águas e da biodiversidade.

Um manifesto artístico pela Amazônia
Mais do que uma sucessão de alegorias monumentais, o Caprichoso apresentou uma narrativa coesa, em que cada quadro dialogava com o tema central do espetáculo. Música, dança, cenografia e performances foram articuladas para defender uma Amazônia viva, diversa e profundamente conectada às suas raízes culturais.
A forte participação da Nação Azul potencializou os momentos de maior emoção da noite e reafirmou a sintonia entre o boi e sua torcida, contribuindo para transformar o Bumbódromo em um espaço de celebração da identidade amazônica.
Com uma proposta artística consistente, linguagem visual refinada e um discurso que une arte, ancestralidade e preservação ambiental, o Caprichoso encerrou sua segunda apresentação consolidando uma narrativa que faz da cultura amazônica o centro do espetáculo e chega fortalecido para a decisiva terceira noite do Festival de Parintins.
