Saúde

Pesquisa científica brasileira enfrenta desafio para chegar ao mercado de inovação

Especialistas defendem integração entre ciência, mercado e cooperação internacional para acelerar inovação em saúde no Brasil

O Brasil possui uma das maiores produções científicas do mundo, mas ainda enfrenta desafios para transformar pesquisas acadêmicas em soluções inovadoras capazes de chegar ao mercado e competir internacionalmente. Essa avaliação foi apresentada por pesquisadores, investidores e empreendedores durante o painel “Como Transformar Desafios em Saúde, Esportes e Bem-Estar em Propostas de Alto Impacto para Colaboração Internacional”, realizado em São Paulo (SP).

O encontro reuniu especialistas para discutir caminhos que aproximem universidades, empresas, investidores e redes internacionais de inovação, com foco no desenvolvimento de tecnologias voltadas à saúde, qualidade de vida e bem-estar.

Ciência brasileira precisa se conectar ao mercado

Durante o debate, os participantes destacaram que o país possui conhecimento científico de alto nível, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar descobertas e pesquisas em produtos e negócios escaláveis.

Para o médico George Mantese, diretor do Instituto Mantese e doutorando pela Universidade de São Paulo (USP), existe uma distância entre a produção científica e a capacidade de transformar inovação em soluções disponíveis para a sociedade.

Segundo ele, muitos pesquisadores conseguem desenvolver tecnologias dentro de universidades e hospitais, mas encontram dificuldades na etapa de comercialização e estruturação de negócios.

“É super comum dentro de universidades e hospitais estarmos desenvolvendo inovações, mas vejo que os profissionais que pensam em pesquisa e inovação têm dificuldade em colocar aquilo no mercado”, afirmou.

O especialista destacou que parcerias com profissionais de empreendedorismo, investimento e desenvolvimento de negócios são fundamentais para acelerar esse processo.

Startups precisam estruturar crescimento sustentável

Outro ponto levantado no evento foi a importância da organização empresarial desde os primeiros estágios das startups.

Para Gabriel Stobiecki, diretor de Investimentos da Anjos do Brasil, muitas empresas de tecnologia concentram esforços apenas na criação da solução e deixam de lado aspectos como governança, processos internos e capacidade de crescimento.

Segundo ele, investidores buscam negócios preparados para crescer de forma sustentável, com planejamento financeiro e estrutura adequada.

“A startup precisa saber como escalar com custo baixo e organizar seus processos, porque o investidor precisa enxergar capacidade de crescimento”, destacou.

A avaliação é que inovação tecnológica precisa caminhar junto com gestão eficiente para gerar impacto econômico e social.

Soluções precisam ser construídas com participação dos usuários

A importância da validação constante das tecnologias junto aos usuários também foi destacada durante o painel.

O fundador e ex-CEO da MedRoom, startup brasileira especializada em realidade virtual para ensino de anatomia, Vinicius Gusmão, explicou que o crescimento da empresa ocorreu a partir da construção conjunta com clientes e instituições de ensino.

Segundo ele, ouvir as necessidades dos usuários permitiu aprimorar os produtos e criar soluções mais eficientes.

“A cada nova versão, incorporamos aquilo que o cliente precisava. Mais do que entregar um produto pronto, era construir uma solução”, afirmou.

Programa aproxima Brasil e Taiwan em inovação

Durante o evento também foi apresentada a segunda edição do Go Healthy with Taiwan 2026, iniciativa internacional que busca conectar projetos brasileiros ao ecossistema de inovação de Taiwan.

O programa selecionará três propostas nas áreas de saúde, bem-estar e qualidade de vida. Cada projeto vencedor receberá US$ 30 mil, além de mentorias especializadas e conexões com universidades, empresas e centros de pesquisa taiwaneses.

A iniciativa é promovida pela Administração de Comércio Internacional do Ministério de Assuntos Econômicos de Taiwan (TITA) e organizada pelo Conselho de Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan (TAITRA).

Programa busca soluções globais em saúde e tecnologia

A campanha tem como objetivo identificar projetos inovadores em áreas como:

  • Saúde inteligente;
  • Tecnologia esportiva;
  • Indústria da bicicleta;
  • Qualidade de vida.

Na primeira edição, o programa recebeu 638 propostas de 55 países, consolidando-se como uma plataforma internacional de colaboração em inovação.

Nesta edição, 20 projetos participarão de mentorias individuais com especialistas internacionais. Seis finalistas terão a oportunidade de viajar para Taiwan para conhecer um dos principais ecossistemas globais de inovação.

Os três melhores projetos receberão o prêmio financeiro.

Para Sandra Shih, diretora da TAITRA Brasil, o principal resultado da iniciativa vai além da premiação.

“O mais importante não é ganhar o prêmio, mas construir parcerias internacionais. Taiwan está pronto para trabalhar junto com o Brasil em diferentes áreas para desenvolver soluções que melhorem a qualidade de vida das pessoas”, afirmou.

Inscrições seguem abertas

As inscrições para o Go Healthy with Taiwan 2026 seguem abertas até 5 de agosto de 2026, às 23h59 (horário de Taiwan – GMT+8).

Podem participar:

  • Empresas;
  • Startups;
  • Universidades;
  • Instituições de pesquisa;
  • Organizações da sociedade civil;
  • Órgãos públicos.

Projetos interessados podem realizar inscrição gratuita pelo site oficial do programa.

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