PF faz operação e cumpre mandado contra familiar de Governador do Amazonas em investigação sobre lavagem de dinheiro
Familiar de Governador do Amazonas é alvo de operação da PF por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional de drogas
Paulo Victor de Brito Alvino foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a Operação Torre 8, que mobilizou forças policiais em 15 estados brasileiros.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (8), a Operação Torre 8, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao tráfico internacional de drogas. Entre os alvos da operação está Paulo Victor de Brito Alvino, familiar do presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade.
Segundo a investigação, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão contra Paulo Victor, que é filho de Vanderlei Alvino, conhecido como “Vandex”, ex-presidente do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM), e de Adriana Cidade, prima de Roberto Cidade.
O caso também remete a investigações anteriores envolvendo a residência em Parintins que ficou conhecida como “QG do Crime”, além de episódios registrados durante as eleições municipais de 2024, quando integrantes do alto escalão do governo estadual foram flagrados discutindo estratégias relacionadas às disputas eleitorais em Manaus e Parintins. Após a repercussão do caso, Vanderlei Alvino foi afastado da presidência do IDAM.
Investigação começou após prisão em 2025
As investigações da Polícia Federal tiveram início após a prisão em flagrante de Paulo Victor, em setembro de 2025, quando ele foi abordado ao sacar R$ 300 mil em espécie em uma agência bancária localizada no bairro Parque 10, em Manaus.
Na ocasião, ele também portava uma pistola Glock calibre .380.
Conforme a PF, as apurações indicaram que os recursos teriam origem ilícita e estariam vinculados a uma empresa considerada de fachada.
Durante a investigação, os policiais identificaram indícios de que Paulo Victor utilizava empresas registradas em seu nome e em nome de terceiros para movimentar e ocultar valores supostamente provenientes de uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas.
Os investigadores também apontam que diversas empresas envolvidas não apresentavam atividade econômica compatível com o volume financeiro movimentado.
Saques milionários e empresas investigadas
Relatórios da Polícia Federal indicam que, poucos dias antes da prisão, em 29 de agosto de 2025, Paulo Victor teria realizado um saque de R$ 400 mil de uma conta vinculada à empresa Harpia Solutions Ltda., sediada em Manaus.
Apesar da prisão em flagrante, Paulo Victor foi colocado em liberdade no dia seguinte após pagamento de fiança de R$ 75.900, correspondente a 50 salários mínimos da época.
O processo que tramita na Justiça Federal, sob o nº 1041845-56.2025.4.01.3200, apura possíveis crimes de:
- Lavagem de dinheiro;
- Ocultação de bens e valores;
- Infrações previstas na legislação do Sistema Nacional de Armas.
Até o momento, não há notícia de condenação definitiva no processo, e a investigação segue em andamento.
Operação mobiliza 15 estados
A Operação Torre 8 integra a Operação Força Integrada III, coordenada nacionalmente pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs).
Segundo a Polícia Federal, a ação ocorre simultaneamente em 15 estados brasileiros, com o cumprimento de:
- 93 mandados de prisão;
- 180 mandados de busca e apreensão;
- Diversas medidas cautelares patrimoniais e investigativas.
As diligências têm como objetivo desarticular organizações criminosas suspeitas de atuar na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.
Até a publicação desta matéria, Paulo Victor de Brito Alvino, Roberto Cidade e os demais citados não haviam se manifestado publicamente sobre os fatos relacionados à operação desta quarta-feira. Caso haja posicionamento oficial, o espaço permanece aberto para atualização da reportagem.
