Socorro a empresas aéreas é estratégico para o turismo
A notável movimentação de passageiros domésticos na aviação brasileira começa a sentir as consequências do conflito bélico no Oriente Médio. De janeiro a março, o país teve uma movimentação recorde de 25,2 milhões de passageiros. O número é 6,17% superior ao verificado no mesmo período do ano passado, quando 23,7 milhões de pessoas voaram pelo Brasil.
A combinação entre maior oferta de voos e fortalecimento de destinos nacionais contribuiu para o cenário positivo. Mas o aumento na cotação do querosene de aviação (QAV) — o combustível usado pelas aeronaves —, provocado pela guerra entre Israel/Estados Unidos e Irã, pressiona o preço das passagens aéreas.
A Latam, por exemplo, pagava US$ 90 pelo barril de QAV no começo deste ano. Para o segundo e o terceiro trimestres, a estimativa da companhia é de que o preço fique ao redor de US$ 170, um aumento de 89%. A empresa espera que a cotação caia para US$ 150 no fim do ano.
O QAV é um dos principais componentes na elaboração das tarifas aéreas. De acordo com o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, trata-se de um insumo dolarizado que impacta muito os custos do transporte aéreo, especialmente das empresas de aviação comercial.
Em razão disso, o governo federal vem adotando medidas desde o início de abril para tentar atenuar esses efeitos tanto no bolso dos viajantes quanto no balanço financeiro das companhias aéreas. Por meio de medida provisória, instituiu duas linhas de crédito para reduzir o impacto das altas nos preços dos combustíveis sobre as operações das companhias aéreas brasileiras.
A primeira conta com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), terá valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e foco em reestruturação financeira das empresas. Os financiamentos serão operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou instituição por ele habilitada.
A segunda linha terá foco no capital de giro de seis meses, com R$ 1 bilhão alocado, e condições financeiras e elegibilidade a serem definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com risco da União. As linhas se somam ao mecanismo anunciado recentemente pela Petrobras de mitigação do aumento do preço do QAV.
"A aviação é um dos principais motores do turismo e da economia brasileira. Em um momento de forte crescimento da demanda por viagens, medidas que garantam previsibilidade e sustentabilidade financeira às companhias aéreas são fundamentais para preservar a conectividade do país, estimular o turismo interno e manter a competitividade do Brasil como destino internacional", analisa Adriana Noguti, diretora de Comunicação e Marketing da RTSC, holding de investimentos nos setores imobiliário e turístico.
Vale destacar que somente os gastos de estrangeiros em visita ao país somaram R$ 16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, montante 12% superior ao observado no mesmo período de 2025, conforme dados compilados pelo Banco Central. Em março último, o Brasil recebeu 1,05 milhão de turistas vindos de outros países, um marco histórico para o turismo nacional.
Isenção de impostos
O governo federal também publicou um decreto que zera o PIS e a Cofins sobre o QAV, o que resulta em uma economia de R$ 0,07 por litro do combustível. As empresas também só pagarão em dezembro as tarifas de navegação da Força Aérea Brasileira (FAB) referentes aos meses de abril, maio e junho.
Outras providências estão sendo tomadas para incentivar e democratizar o acesso a viagens no país. No começo de maio, o Ministério do Turismo (MTur) assinou um protocolo de intenções com o Ministério de Portos e Aeroportos, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e as companhias Azul, Gol e Latam para retomar o programa Conheça o Brasil: Voando.
A parceria, firmada durante o 10º Salão do Turismo, em Fortaleza (CE), é uma estratégia para estimular o turismo interno, valorizar destinos consolidados e emergentes, ampliar a conectividade aérea, fortalecer o turismo doméstico e internacional e integrar ações estruturantes de promoção e políticas públicas.
Para o ministro do MTur, Gustavo Feliciano, a assinatura do protocolo representa um compromisso concreto com o desenvolvimento do Brasil: "O turismo cresce quando há conectividade, quando as pessoas conseguem chegar aos destinos com mais opções, mais frequência e a preços mais acessíveis".
