Brasil amplia acesso às creches, mas permanece abaixo da meta do PNE
Matrículas em creches crescem 11% em quase uma década, mas Brasil ainda não atinge meta nacional
Brasília – O acesso à educação infantil no Brasil registrou avanço significativo nos últimos anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua – Educação, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as matrículas em creches para crianças de 0 a 3 anos cresceram 11% entre 2016 e 2025. Apesar da evolução, o país ainda permanece abaixo da meta estabelecida pelo antigo Plano Nacional de Educação (PNE).
Em 2025, cerca de 4,5 milhões de bebês e crianças estavam matriculados em creches, o que representa 43,3% da população nessa faixa etária — o maior índice da série histórica iniciada em 2016. Naquele ano, o atendimento alcançava apenas 31,8% das crianças. Em relação a 2024, também houve crescimento, passando de 41,1% para 43,3%, um avanço de 2,2 pontos percentuais.
Meta nacional ainda não foi alcançada
Embora os indicadores revelem progresso, o percentual de atendimento permanece abaixo da meta de 50%, prevista pelo Plano Nacional de Educação que vigorou até o fim de 2025. O novo PNE, válido para o período de 2024 a 2034, ampliou esse objetivo e estabelece que, ao final da década, pelo menos 60% das crianças de até 3 anos estejam matriculadas em creches.
Pela legislação brasileira, a matrícula em creches não é obrigatória para crianças de 0 a 3 anos, mas o atendimento é considerado um direito assegurado, cabendo ao poder público oferecer vagas conforme a demanda das famílias.
Pré-escola se aproxima da universalização
O levantamento também mostra que a educação infantil para crianças de 4 e 5 anos continua avançando. Em 2025, a taxa de atendimento chegou a 96,1%, o maior percentual já registrado no país e próximo da universalização.
Mesmo assim, aproximadamente 219 mil crianças dessa faixa etária ainda permanecem fora da pré-escola, etapa que é obrigatória desde 2009.
Desigualdades regionais preocupam
Os dados revelam que o acesso às creches continua marcado por desigualdades sociais e regionais. Enquanto Santa Catarina registra atendimento de 58,4% das crianças de 0 a 3 anos, estados da Região Norte apresentam os menores índices do país.
Entre eles estão:
- Amapá: 9,4%;
- Acre: 19%;
- Amazonas: 20,9%;
- Roraima: 22,8%.
As diferenças também aparecem quando considerada a renda familiar. Entre os 20% mais pobres, 24,2% das crianças permanecem fora da escola por dificuldades de acesso, percentual quase quatro vezes superior ao observado entre os 20% mais ricos, onde o índice é de 6,4%.
Falta de vagas ainda é desafio
Segundo especialistas, ampliar a oferta de vagas exige planejamento, financiamento e cooperação entre União, estados e municípios. Além da expansão física das creches, também é necessário garantir qualidade no atendimento, infraestrutura adequada e formação dos profissionais da educação infantil.
A pesquisa mostra ainda que mais de 1,7 milhão de crianças permanecem fora das creches apesar do interesse das famílias, principalmente devido à falta de vagas ou de unidades próximas às suas residências. Nas regiões Norte e Nordeste, essa realidade é ainda mais evidente.
Educação infantil é estratégica para o desenvolvimento
Especialistas destacam que o acesso à educação infantil nos primeiros anos de vida contribui para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, além de reduzir desigualdades educacionais ao longo da trajetória escolar.
Com os novos investimentos previstos pelo Ministério da Educação por meio do Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, a expectativa é ampliar a oferta de vagas, fortalecer a qualidade do ensino e aproximar o país das metas previstas no novo Plano Nacional de Educação.
