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Especialista analisa desafios financeiros no setor de saúde

No Brasil, cerca de 60% das empresas fecham em até cinco anos após a sua criação, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) repercutidos pela Exame. Os desafios existem para negócios de todas as áreas, incluindo a saúde.

De acordo com uma pesquisa divulgada em 2025, o setor da saúde tinha R$ 4,5 bilhões de pagamentos pendentes ou não realizados, com 36% do faturamento comprometido. As informações são de um levantamento da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI) e foram repercutidas pelo site Saúde Business.

Na avaliação do especialista em gestão financeira e empresário Alan Espinosa, um dos motivos que colaboram para esse cenário é a falta de preparação adequada para administrar um negócio.

"Existe uma falha muito grande no ensino quando falamos de gestão financeira. A maioria dos cursos da área da saúde, como medicina, odontologia, fisioterapia, entre outros, forma profissionais extremamente capacitados tecnicamente, mas praticamente não aborda temas ligados à gestão de negócios"

Ele faz a observação de que não necessariamente o recém-formado é um mau profissional, mas que, ao abrir um consultório ou outro tipo de negócio próprio, não tem preparo ou experiência para lidar com questões empresariais.

Como resultado, de acordo com a análise do empresário, muitos profissionais da área da saúde ainda conduzem o negócio de forma intuitiva: trabalham muito, faturam, pagam as contas e seguem em frente sem realmente entender o que está acontecendo com os números da empresa.

"Quando a gestão passa a ser profissionalizada, a clínica deixa de operar no ‘feeling’ e passa a tomar decisões baseadas em dados"

"Hoje existem empresas e profissionais especializados em gestão financeira para a área da saúde, que conseguem implementar processos simples e eficientes. Isso inclui estruturação de centros de custo, demonstrativo de resultado do exercício (DRE) gerencial, relatórios financeiros e indicadores"

Em conjunto, todos esses processos ajudam a entender exatamente em quais pontos o negócio está ganhando ou perdendo dinheiro e quais decisões precisam ser tomadas.

"Esse tipo de organização muda completamente a realidade. O profissional deixa de ser refém da rotina e da agenda lotada e passa a ter clareza sobre o funcionamento da empresa"

Erros mais comuns

"Existem alguns erros muito recorrentes que eu observo na gestão financeira de clínicas e consultórios. Entre os profissionais da saúde, especialmente dentistas e médicos, três deles aparecem com muita frequência"

O primeiro é misturar a vida financeira pessoal com a da clínica. Esse é, na visão do especialista, um risco enorme. O problema reside no fato de que, como contas pessoais, despesas e lucros do negócio estão misturados, não é possível entender o que realmente é lucro e gasto.

O segundo erro citado pelo gestor está na precificação e no desconhecimento do custo da hora clínica. Ele relata que muitos profissionais investem em marketing, aumentam a divulgação e buscam vender mais procedimentos sem saber se aquilo realmente gera lucro.

"Eu costumo dizer uma frase que resume bem isso: se o preço está errado, quanto mais você vende, mais rápido você quebra. Ou seja, se a precificação e o cálculo de custos não estão corretos, aumentar o volume de vendas só acelera o problema"

O terceiro erro recorrente é a falta de controle de dados e de fluxo de caixa. "Em muitas conversas que tenho com profissionais de saúde, grande parte deles não sabe dizer exatamente quanto fatura na clínica. E se não sabem quanto entra, muito menos sabem exatamente quanto sai. Ter controle de fluxo de caixa e entender como entra cada real e para onde vai cada centavo faz toda a diferença para qualquer empresa, e em uma clínica isso é fundamental"

Um pensamento que leva profissionais de saúde a cometerem esses erros é acreditar que podem resolver tudo sozinhos no negócio. Para o especialista, a realidade mostra o contrário, com empresas especializadas em gestão financeira para clínicas que conseguem estruturar esse controle de forma mais rápida e eficiente do que o profissional de saúde sozinho.

"Quando a gestão financeira está organizada e nas mãos certas, o profissional pode direcionar sua energia para aquilo que realmente faz a clínica crescer: atender bem, fortalecer sua marca, vender melhor seus serviços e construir um posicionamento sólido no mercado"

Para saber mais, basta seguir o profissional no Instagram: https://www.instagram.com/alanespinosamathias