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Mineração sustentável impulsiona transformação no Sudeste

A busca por maior eficiência produtiva e redução de emissões tem impulsionado mudanças estruturais na mineração brasileira. Empresas do setor passaram a direcionar investimentos para tecnologias de menor impacto ambiental e para soluções logísticas capazes de ampliar a competitividade nacional, conectando produção mineral, sustentabilidade e infraestrutura.

Nesse cenário, o Grupo Cedro Participações anunciou a implantação de uma planta industrial em Mariana, Minas Gerais, dedicada à produção de pellet feed de redução direta, matéria-prima utilizada na fabricação de aço com menor intensidade de carbono. O projeto prevê investimento de aproximadamente US$ 700 milhões e tem como objetivo atender à crescente demanda internacional por minério de alto teor, especialmente em mercados alinhados às metas globais de descarbonização.

O pellet feed é um concentrado de minério de ferro com baixos níveis de impurezas e elevada eficiência metalúrgica, considerado estratégico para a siderurgia de baixo carbono. O processo produtivo adotado pela companhia utiliza empilhamento a seco, tecnologia que dispensa o uso de barragens, além de contar com parceria logística para escoamento integral da produção. A expectativa é ampliar a inserção do Brasil em cadeias globais ligadas à transição energética e à produção de aço mais limpo.

A relevância desse tipo de minério acompanha uma tendência global de transformação da indústria siderúrgica. Relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), organismo intergovernamental ligado à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que a produção de aço de baixo carbono depende da adoção de rotas tecnológicas baseadas na redução direta do minério de ferro, processo que exige matérias-primas de maior pureza e alto teor metálico. Segundo o estudo Iron and Steel Technology Roadmap, a utilização de insumos mais eficientes é considerada elemento central para reduzir emissões industriais e viabilizar a transição energética no setor siderúrgico nas próximas décadas.

Paralelamente à expansão mineral, a holding também estruturou um plano de investimentos em infraestrutura logística estimado em R$ 5 bilhões para os próximos cinco anos. Entre os projetos previstos está o desenvolvimento do Porto do Meio, em Itaguaí, no Rio de Janeiro, terminal privado planejado para fortalecer o escoamento de cargas e ampliar a eficiência operacional de empresas brasileiras.

Em Minas Gerais, a companhia avança na implantação da Shortline Serra Azul, ferrovia de curta distância com 26,5 quilômetros de extensão. A iniciativa possui potencial para reduzir significativamente o fluxo diário de caminhões na BR-381, contribuindo para menor emissão de poluentes e maior segurança viária na região.

Sob a liderança de Lucas Kallas, presidente do Conselho de Administração do Grupo Cedro Participações, a estratégia empresarial busca integrar mineração, logística e novos setores econômicos, ampliando a diversificação das operações. A expectativa é que os projetos também gerem impactos relevantes para a economia regional, com aumento da arrecadação tributária e fortalecimento das cadeias produtivas locais.

Para a companhia, a combinação entre inovação tecnológica e investimentos em infraestrutura representa um passo necessário para preparar o setor mineral brasileiro para demandas globais cada vez mais exigentes. "O desafio atual não é apenas produzir mais, mas produzir melhor, com eficiência logística e responsabilidade ambiental", afirma Kallas.