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Saúde

Populações indígenas em Manaus participam de inquérito para diagnóstico de tuberculose e ISTs

A Unidade de Saúde da Família (USF) Prefeito Amazonino Mendes, no bairro Lago Azul, zona Norte, da Prefeitura de Manaus, recebeu nesta quarta-feira, 21/1, uma das etapas do projeto “Inquérito de Tuberculose e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em Populações Indígenas Urbanizadas”, financiado pelo Ministério da Saúde e coordenado pelo Instituto de Pesquisa em Populações Prioritárias (IRPP).

A programação foi realizada na USF a partir de parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) e a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT/HVD).

Na execução do inquérito, a população participou de um mutirão de saúde com a oferta de exames de aferição de pressão arterial, glicemia, bioimpedância, testes rápidos para HIV, hepatite e sífilis, coleta de material para exame de escarro e disponibilidade de equipamento portátil de Raio X com a utilização de Inteligência Artificial para avaliar a probabilidade de tuberculose nos pacientes.

A gerente de Vigilância Epidemiológica da Semsa, enfermeira Eunice Jácome, explicou que o projeto começou a ser executado em Manaus em março de 2025, inicialmente programado para atuação na comunidade Parque das Tribos, na zona Oeste, mas que houve a ampliação para as populações indígenas urbanizadas de Manaus em geral.

“O inquérito busca identificar casos de tuberculose e ISTs na população indígena, independentemente da manifestação de sintomas. No mutirão, todos os pacientes realizam os exames, inclusive a coleta de escarro. Como resultado, a Semsa poderá identificar casos novos de doença e iniciar a oferta do tratamento, além de obter um painel da situação de saúde dessa população e planejar melhor as políticas públicas”, destacou Eunice Jácome.

A programação continua nesta quinta-feira, 22/1, na USF Carmen Nicolau, localizada na rua Nestor Nascimento, s/nº, bairro Lago Azul, com atendimento direcionado para Populações Indígenas Urbanizadas, em demanda livre, com idade a partir de 18 anos.

“O atendimento seguirá até sábado, 24/1, com os mesmos serviços, liberados para indígenas moradores da área urbanizada de Manaus, inclusive com exames para detectar tuberculose latente. Conforme o resultado dos exames, a Semsa dará continuidade ao acompanhamento do paciente, com consultas médicas e demais serviços”, informou a gerente.

De acordo com a pesquisadora do IRPP, médica Beatriz Duarte, o objetivo do projeto é identificar a prevalência de doenças entre as populações vulneráveis, as condições de saúde e determinantes sociais que impactam na saúde, possibilitando que os gestores tenham as informações necessárias para planejar as ações de saúde.

“A ideia é garantir a visibilidade dessas populações e da situação de saúde. A questão é que quando a gente trabalha com populações vulnerabilizadas, como a indígena, e vamos procurar informações sobre elas, essas informações não existem. E não existem porque estão invisíveis a ponto de não ter dados que possam pautar políticas públicas”, revelou Beatriz Duarte.

No inquérito, explicou a pesquisadora, será possível entender a prevalências das doenças, como diabetes, hipertensão, ISTs e tuberculose. “O trabalho vai coletar informações diagnosticando os pacientes com doenças negligenciadas, que normalmente são muito incidentes em populações vulnerabilizadas, como a tuberculose. Também podemos avaliar a utilização de tecnologias em que se consegue ter o diagnóstico mais rápido, no momento em que o paciente está sendo atendido”, informou.

Além de Manaus, o projeto também será desenvolvido na Bahia, com indígenas que não estão em contexto urbano, com a estimativa de avaliar até cinco mil pessoas, até junho deste ano.

“O projeto foi idealizado para atuar nos dois Estados com maior população indígena do Brasil, com a pretensão de expandir para outros locais. Os resultados obtidos são repassados para as gestões locais e nacional, com publicação dos dados para conhecimento da comunidade científica”, afirmou Beatriz Duarte.

O município de Manaus registrou 3.206 casos novos de tuberculose no ano passado, com 25 casos entre indígenas, o que pode indicar subnotificação da doença entre a população indígena ou não identificação no cadastro em relação à etnia.

A chefe do Núcleo de Controle de Tuberculose da Semsa, Anne Kimi Okazaki, apontou que população indígena é historicamente mais vulnerável, com menos acesso aos serviços de saúde, o que resulta muitas vezes no diagnóstico tardio da tuberculose.

“Muitas vezes demoram a procurar o atendimento e quando chegam nas unidades de saúde já apresentam sintomas mais graves, inclusive em crianças. Com o inquérito, será possível obter mais dados e levar as informações para a gestão municipal, levando à elaboração de projetos direcionados para o melhor atendimento da população indígena”, concluiu Anne Kimi.

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