O Senado do Paraguai abriu nesta sexta-feira sessão extraordinária no âmbito do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, o que aumentou a incerteza quanto à liderança do país após ele ter renunciado em conexão com o colapso de um banco local.
Peña apresentou sua renúncia na quinta-feira, após a falência do banco Ueno, com o qual mantinha laços comerciais no passado. Sua renúncia ainda não foi formalmente aceita, deixando o país em um limbo político enquanto o processo de impeachment segue em andamento.
O vice-presidente Pedro Alliana, que deve assumir a Presidência no lugar de Peña, ainda não havia tomado posse até o início da sexta-feira.
A equipe jurídica de Peña havia solicitado uma prorrogação de 72 horas para apresentar sua defesa, o que foi rejeitado pelo Senado. O presidente seria notificado de que foi intimado a comparecer perante o Senado nesta sexta-feira.
Na noite de quinta-feira, os parlamentares, atuando como promotores, apresentaram formalmente as acusações que fundamentam o impeachment de Peña. Os parlamentares da oposição argumentaram que qualquer votação final deve respeitar o direito do presidente à defesa antes que o processo siga adiante.
Segundo as acusações de impeachment, Peña cometeu conflitos de interesse, manipulou a supervisão regulatória, desviou fundos de previdência e participou de um encobrimento institucional envolvendo o banco central.
A crise política se espalhou pelas ruas, com manifestantes retornando ao centro de Assunção na noite de quinta-feira exigindo responsabilização pelo colapso do Ueno e uma indenização mais rápida para os depositantes cujas economias permanecem congeladas.
Alguns correntistas começaram a recuperar seu dinheiro na noite de quinta-feira.
As perspectivas de uma longa transição política também chamaram a atenção dos investidores e do Brasil, o maior parceiro econômico do Paraguai. Embora os órgãos reguladores tenham procurado tranquilizar os mercados garantindo a maior parte dos depósitos e contendo os riscos para o sistema financeiro como um todo, os investidores estão atentos para ver se a turbulência política abala a confiança nas instituições do Paraguai.
“Os protestos contra o congelamento das poupanças se intensificarão se a saída de Peña parecer garantir impunidade a ele ou se os pagamentos aos depositantes e aposentados forem paralisados”, disse Mariano Machado, analista-chefe para as Américas da Verisk Maplecroft.
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