Mesmo com início da vacinação, ONGs apostam em crescimento de doações online para manter atendimentos neste ano

Segundo pesquisa, 41% dos doadores afirmam que as mídias sociais são a ferramenta de comunicação que mais os inspira a doar

Em 2020, 60% das ONGs deixaram de atender ou oferecer algum serviço em função da pandemia no Brasil. Com um ano de trabalho em condições atípicas, as organizações do terceiro setor que possuem modelos de arrecadação envolvendo contato físico – como os captadores de rua, eventos e bazares, que tiveram seus números reduzidos drasticamente, ou mesmo zerados durante o distanciamento social imposto pela COVID-19, foram as que mais sofreram com a falta de recursos.

Este ano começa com a boa notícia do início da vacinação, mas o processo é longo e a necessidade de distanciamento social e todos os cuidados para evitar a disseminação da doença devem se manter, no mínimo, até o segundo semestre. E, com isso, também os desafios das ONGs estão longe do fim.

Para Edmond Sakai, Diretor de Relações Institucionais, Marketing e Comunicação da Aldeias Infantis SOS Brasil, organização humanitária internacional que luta pelo direito das crianças a viverem em família, o ano de 2020 mostrou não só a importância de você ter um planejamento, mas de ele ser um documento vivo e flexível que pode sofrer transformações a qualquer momento. “Quem não tinha um plano para se guiar, foi ainda mais afetado pelos efeitos da pandemia. A organização precisa ter um direcionamento para não se perder em uma crise”, comenta o executivo.

Para a Aldeias Infantis SOS Brasil, uma das grandes mudanças no planejamento foi o aumento de doações e parcerias com empresas privadas, que atenderam ao chamado global por conscientização. Mas, a diminuição na receita da maioria das empresas por causa da pandemia pode afetar fortemente o volume de doações neste segundo ano da pandemia, e, por isso, o foco nas doações online será ainda maior.

A Funraise, organização internacional que oferece soluções inovadoras de tecnologias de arrecadação, publicou o Global Trends in Giving Report, um documento com o perfil e as tendências de doações ao redor do mundo. Esse relatório mostra que a maioria dos doadores são mulheres (67%) e os Baby Boomers (nascidos entre 1946-1964) representam 37%. O recorte da América Latina e Caribe, em que o Brasil é o principal representante, mostrou resultados semelhantes quanto a maioria feminina (78%), porém 52% dos doadores pertencem à Geração Millennial (1981-1997). Esse dado é interessante, pois mostra que o país está construindo uma cultura de doação entre os mais jovens, que não era vista nas gerações anteriores.

Outro ponto destacado deste report, é que 41% das pessoas da América Latina e Caribe afirmaram que a mídia social é a ferramenta de comunicação que mais os inspira a doar, a taxa mais alta entre as regiões pesquisadas, já que a média mundial é de 25%. “A captação de recursos de forma virtual já vinha crescendo com a expansão das redes sociais e com o aumento da disponibilidade de meios de pagamentos seguros. Por isso, estamos focando nossas ações nos meios digitais e, para 2021, aumentamos a meta de captação em 50%”, comenta Sakai. A organização também aposta no fortalecimento das parcerias com meios de pagamento, como o PicPay, e com plataformas de cashback, como a Ame Digital.

Outra tendência que deve se manter é a ajuda de celebridades, cada vez mais engajadas com causas socioambientais. Por isso, a Aldeias Infantis SOS Brasil contratou um time focado em promover ações de aproximação com influenciadores que tenham sinergia com a causa infantil e tem programadas lives e encontros virtuais para os próximos meses.

“Em mais de 70 anos de atuação, já ajudamos mais de 4 milhões de crianças em todo o mundo. Passamos por crises, guerras e desastres ambientais. Essa vivência tornou nossa organização sólida para atravessar a pandemia e fortalecer o nosso trabalho com as crianças e famílias atendidas pela organização”, conclui Sakai.
Sobre a Aldeias Infantis SOS Brasil
A Aldeias Infantis SOS Brasil (SOS Children’s Villages International) é uma organização humanitária, sem fins lucrativos, não governamental e independente, que luta pelo direito das crianças, jovens e adolescentes a viverem em família. No mundo, é a maior organização de atendimento direto à criança. A Aldeias Infantis SOS Brasil advoga pelos direitos da infância e atua junto a meninos e meninas que perderam o cuidado parental ou estão em risco de perdê-lo, além de dar reposta a situações de emergência. Fundada na Áustria, em 1949, está presente em 136 países. No Brasil, atua há 53 anos e mantém mais de 70 projetos, em 31 localidades de Norte ao Sul do país. Ao trabalhar junto com famílias em risco de se separar, para que fiquem mais fortes, e fornecer cuidados alternativos para crianças e jovens que perderam o cuidado de suas famílias, a Aldeias Infantis SOS Brasil luta para que nenhuma criança tenha que crescer sozinha.

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